Nova Toyota Hilux chega à Argentina em dezembro e Brasil será o próximo

A nova Toyota Hilux começa a chegar às ruas da Argentina em dezembro de 2026 e deverá desembarcar no Brasil na sequência. A picape ganha novo visual e interior, mantém o motor 2.8 turbodiesel e terá versões híbrida leve de 48 V e totalmente elétrica.

A nova Toyota Hilux está perto de iniciar sua trajetória comercial na América do Sul. Segundo cronograma obtido pelo Autoblog Argentina, as primeiras unidades da picape renovada deverão ser entregues aos clientes argentinos em dezembro de 2026, abrindo uma sequência de lançamentos que incluirá versões diesel, 100% elétrica e híbrida leve de 48 volts.

A movimentação interessa diretamente ao Brasil porque a fábrica de Zárate, na Argentina, também produz as Hilux destinadas ao mercado brasileiro. Ainda não há, porém, uma data oficial da Toyota para o lançamento por aqui. As informações disponíveis apontam que a espera deverá ser curta após a estreia argentina.

Nova Hilux muda bastante, mas preserva sua base

Visualmente, a renovação é profunda. A dianteira ganhou faróis mais estreitos, capô mais imponente e grade redesenhada. A traseira também mudou, com novas lanternas e alterações na tampa da caçamba.

A transformação fica ainda mais evidente na cabine. A Toyota redesenhou o painel, adotou quadro de instrumentos digital e uma central multimídia maior, além de modificar console e acabamento. Nas configurações mais equipadas, as telas podem chegar a 12,3 polegadas.

A própria Toyota, na apresentação oficial da nova Hilux, destaca a cabine completamente renovada e a manutenção da proposta voltada à robustez e ao uso fora de estrada. A fabricante também confirma uma gama com diferentes opções de motorização, incluindo diesel, híbrido leve de 48 V e a inédita versão elétrica.

Nova Toyota Hilux elétrica vista de traseira
Foto: Divulgação/Toyota

Apesar disso, não há uma ruptura completa com a Hilux atual. A picape mantém a estrutura de chassi de longarinas e a base relacionada ao projeto lançado em 2015, inclusive com aproximadamente 3,08 metros de entre-eixos.

A escolha permite à Toyota preservar uma arquitetura já consolidada no trabalho pesado e no uso fora de estrada enquanto concentra boa parte da evolução em design, tecnologia e novas opções de propulsão.

Motor 2.8 turbodiesel continua e chega primeiro

A Hilux turbodiesel deverá abrir o novo calendário. O conhecido motor 2.8 de quatro cilindros e 204 cv permanece, associado a câmbio manual ou automático de seis marchas, dependendo da configuração, e tração 4×4.

A manutenção do diesel mostra que a Toyota pretende fazer uma transição gradual. Em vez de abandonar de imediato uma configuração importante para os compradores tradicionais da Hilux, a fabricante acrescentará alternativas eletrificadas em etapas posteriores.

Essa estratégia ganha importância diante de uma concorrência mais forte. Em julho, por exemplo, a Ford Ranger superou a Hilux por apenas 33 unidades, com 3.402 contra 3.369 emplacamentos, segundo números da Fenabrave citados no material. A Toyota permaneceu à frente no acumulado do ano.

O resultado isolado não determina a estratégia da fabricante, mas mostra que a renovação chega em um cenário no qual rivais como Ranger e Chevrolet S10 aumentaram a pressão sobre a japonesa.

Hilux elétrica está nos próximos passos da nova gama

Outra mudança importante será a chegada da Hilux BEV, primeira configuração totalmente elétrica da picape.

Na apresentação mundial da nova geração, a Toyota confirmou oficialmente a Hilux BEV com bateria de 59,2 kWh, motores elétricos nos dois eixos e potência máxima combinada de 144 kW, equivalente a cerca de 196 cv.

Para a configuração europeia, a fabricante divulgou preliminarmente cerca de 240 km de autonomia pelo ciclo WLTP, além de capacidade de carga de aproximadamente 715 kg e reboque de até 1,6 tonelada.

A autonomia relativamente contida para um veículo elétrico precisa ser analisada dentro da proposta da picape. Segundo o cronograma argentino, a Hilux BEV deverá começar atendendo principalmente empresas e frotistas, onde trajetos previsíveis e retorno a uma base podem facilitar a programação das recargas.

A configuração já apareceu inclusive em testes no Brasil, em Canaã dos Carajás (PA), aparentemente em uma operação relacionada à mineração.

Nova Toyota Hilux elétrica em teste off-road
Foto: Divulgação/Toyota

Hilux híbrida de 48 V chega depois

A eletrificação não ficará restrita à BEV. A Toyota também prepara a expansão da Hilux híbrida leve de 48 volts, que mantém o motor 2.8 turbodiesel e acrescenta um motor-gerador elétrico.

A Toyota detalha oficialmente o sistema Hybrid 48V como um conjunto formado pelo motor 2.8 diesel, bateria de íons de lítio de 48 V e motor-gerador elétrico. A eletrificação auxilia o propulsor principalmente nas arrancadas e acelerações e também busca melhorar eficiência e suavidade de funcionamento.

Trata-se, portanto, de um híbrido leve (MHEV), e não de um sistema projetado para fazer a Hilux percorrer normalmente longas distâncias apenas com eletricidade.

Segundo o cronograma divulgado na Argentina, essa configuração será introduzida posteriormente nas versões mais equipadas.

A sequência — diesel primeiro e versões eletrificadas incorporadas posteriormente — mostra que a Toyota pretende ampliar as opções da Hilux sem abandonar imediatamente a mecânica que sustenta a maior parte da gama atual.

Interior da nova Toyota Hilux com central multimídia
Foto: Divulgação/Toyota

Quando a nova Toyota Hilux chega ao Brasil?

Esse é o ponto que ainda exige cautela. As informações reunidas apresentam previsões diferentes: há expectativa de lançamento brasileiro logo após a Argentina, enquanto outras projeções colocam a estreia nos primeiros meses de 2027.

Como as unidades brasileiras também sairão de Zárate e protótipos já circulam em testes pelo país, a renovação está próxima. A Toyota, porém, ainda precisa confirmar oficialmente o calendário específico do Brasil.

O mais importante é que a mudança da Hilux será feita em etapas. A conhecida versão diesel continuará sendo a porta de entrada para a nova fase, enquanto elétrica e híbrida leve ampliarão posteriormente uma gama que será bem mais diversificada do que a oferecida pela picape atualmente.

Josean Belo dos Santos
SOBRE O AUTOR

Josean Belo dos Santos

Josean Belo dos Santos é editor do Rota dos Carros e atua há cerca de 20 anos na produção de conteúdo sobre o setor automotivo. Ao longo de sua trajetória, escreveu para portais especializados, com passagens por sites como Del Carros e Portal N10, acompanhando de perto as transformações do mercado brasileiro de automóveis. Além da experiência no jornalismo automotivo, Josean é agente de trânsito em Picos, no Piauí, atividade que amplia seu contato diário com temas relacionados à mobilidade, segurança viária, legislação e comportamento dos motoristas. No Rota dos Carros, é responsável pela produção e edição de conteúdos sobre notícias, lançamentos, avaliações, comparativos, preços e ofertas, além de guias de serviço e trânsito. Seu trabalho combina pesquisa em fontes oficiais, apuração própria, entrevistas com profissionais do setor e experiência prática para produzir informações úteis e confiáveis para quem acompanha o mercado automotivo.