O Hyundai Creta 2027 entra em uma nova fase nas versões equipadas com motor 1.0 TGDI turbo flex. O propulsor, que anteriormente chegava aos 120 cv com etanol, agora passa a entregar 115 cv tanto com gasolina quanto com etanol. O torque, porém, continua em 17,5 kgfm, e o câmbio automático convencional permanece com seis marchas.
As versões e especificações do SUV podem ser consultadas diretamente na página oficial do Hyundai Creta.
Olhando apenas para a ficha técnica, é fácil resumir a mudança dizendo que o Creta perdeu 5 cv. Só que existe uma explicação por trás da recalibração e, principalmente, é preciso entender se essa diferença realmente muda o que o consumidor recebe.
Por que o Creta 2027 perdeu 5 cv?
A redução acontece em um momento de adequação das fabricantes à nova tributação. Pelas regras do Mover, a potência é um dos critérios utilizados para calcular a alíquota do IPI. Na tabela atualmente publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), veículos com potência de até 85 kW não recebem acréscimo nesse critério, enquanto a faixa seguinte, de até 105 kW, acrescenta 0,75 ponto percentual.
A regra completa pode ser consultada na página oficial do Programa Mover para veículos de passageiros.
Isso ajuda a explicar por que 115 e 116 cv começaram a aparecer com frequência nas fichas técnicas de diferentes carros nacionais. No caso da Hyundai, a nova calibração também alcançou HB20 e HB20S equipados com o 1.0 TGDI.
Portanto, não estamos falando da substituição do motor do Creta por uma unidade completamente diferente. O 1.0 turbo continua na gama, mas com nova calibração da potência máxima.

Torque de 17,5 kgfm foi preservado
Essa é uma informação importante para não analisar a mudança somente pelo número de cavalos. O motor continua entregando 17,5 kgfm de torque, enquanto a transmissão automática de seis marchas também foi mantida.
Há uma pequena alteração nos números de desempenho apresentados no material. A aceleração de 0 a 100 km/h passou de 11,6 para 11,8 segundos, enquanto a velocidade máxima caiu de 180 para 176 km/h.
São diferenças mensuráveis, mas isso não permite concluir, sem colocar as duas calibrações lado a lado em um teste, quanto o motorista perceberá na utilização cotidiana. Potência máxima é apenas uma das variáveis envolvidas no comportamento de um carro.
O ponto objetivo é outro: quem comprar um Creta 1.0 turbo 2027 estará levando um veículo com 5 cv a menos do que a configuração anterior movida a etanol, embora o torque máximo tenha sido preservado.
Creta Action 2027 também passa a ter 115 cv
A mudança chegou inclusive ao Creta Action, versão mais acessível da família. A própria Hyundai informa atualmente preço público sugerido de R$ 119.990, embora existam condições específicas para PcD que podem reduzir esse valor.
Apesar de ser uma versão enxuta, alguns equipamentos relevantes foram preservados. Há seis airbags, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, monitoramento da pressão dos pneus, câmera de ré, sensor de estacionamento traseiro, piloto automático, chave presencial e partida por botão.
Por outro lado, o Action não traz central multimídia de fábrica nem o pacote Hyundai SmartSense disponível em configurações superiores.
Na tabela atualmente apresentada pela Hyundai, o Comfort tem preço público sugerido de R$ 156.590, o Limited custa R$ 173.390 e o Platinum, R$ 188.990. A fabricante mantém campanhas promocionais que podem reduzir esses valores em determinadas condições. Já o N Line parte de R$ 206.990.

É justamente a progressão desses preços que torna a análise do Creta mais interessante do que simplesmente discutir cinco cavalos.
Na minha opinião, os 5 cv a menos preocupam menos do que o preço do Creta
Eu não vejo essa redução de 120 para 115 cv como motivo suficiente para descartar o Creta. Se a Hyundai tivesse reduzido também o torque ou feito alguma mudança maior no conjunto mecânico, minha avaliação seria diferente. Mas os 17,5 kgfm continuam lá e o câmbio automático permanece o mesmo. Na ficha técnica, perder potência nunca chama atenção de forma positiva, mas cinco cavalos, sozinhos, dizem pouco sobre como o carro vai se comportar no dia a dia.
O que pesa mais para mim é olhar quanto custa cada versão. Quando o Creta começa a subir para configurações de R$ 156 mil, R$ 173 mil e chega perto dos R$ 190 mil ainda com o 1.0 turbo, eu começaria a prestar muito mais atenção no que os concorrentes entregam pelo mesmo dinheiro, como mostra nosso comparativo entre Volkswagen T-Cross e Jeep Renegade, do que nesses cinco cavalos que desapareceram. Os valores oficiais atuais de Comfort, Limited e Platinum confirmam justamente essa progressão.
Também acho importante não tratar essa mudança como se a Hyundai simplesmente tivesse piorado o motor para economizar. Existe uma questão tributária por trás da nova calibração e outras fabricantes estão seguindo caminho semelhante. Isso explica a decisão, embora não obrigue o consumidor a gostar dela.
Se eu estivesse avaliando um Creta 1.0 turbo 2027, portanto, os 115 cv não seriam o primeiro motivo para eu desistir da compra. Eu olharia muito mais para preço, equipamentos, consumo e para o que os concorrentes oferecem. A redução de potência merece ser conhecida pelo comprador, claro, mas eu não transformaria cinco cavalos na única medida para decidir se o SUV continua valendo a pena. Entre as alternativas, também vale conferir nossa avaliação do Volkswagen Nivus 2027.