A MG prepara um movimento diferente para o mercado brasileiro em 2026. Depois de atuar com modelos de maior volume, a fabricante vai avançar sobre uma faixa mais sofisticada com a IM Motors, marca premium ligada à SAIC. O primeiro produto dessa estratégia será o MG IM6, SUV elétrico de grande porte apresentado durante o Festival Interlagos e com lançamento comercial previsto para outubro.
O IM6 chama atenção principalmente pelo conjunto destinado ao Brasil: são dois motores elétricos, tração integral, 767 cv e 81,7 kgfm de torque. A aceleração de 0 a 100 km/h é anunciada em apenas 3,5 segundos, enquanto a velocidade máxima chega a 305 km/h.
Mais do que acrescentar outro elétrico ao catálogo, porém, o IM6 terá a missão de apresentar ao consumidor brasileiro uma nova camada dentro da operação da MG. A IM ficará acima da linha convencional, apostando em desempenho, tecnologia e acabamento como seus principais diferenciais.
767 cv colocam o IM6 em outro patamar de desempenho
Os números ajudam a entender o posicionamento escolhido para o modelo. Uma potência de 767 cv em um SUV de quase cinco metros foge bastante da proposta dos elétricos voltados principalmente à eficiência e ao uso urbano.
Os dois motores também permitem tração nas quatro rodas. Com o conjunto, os 3,5 segundos necessários para atingir 100 km/h colocam o IM6 em território de desempenho normalmente associado a carros esportivos, apesar das dimensões e da proposta mais luxuosa do SUV.
A velocidade máxima declarada de 305 km/h reforça essa característica. No uso cotidiano, evidentemente, esse número tem pouca aplicação prática. Ele serve principalmente para demonstrar até onde vai a capacidade do conjunto elétrico e diferencia o IM6 de boa parte dos SUVs elétricos que utilizam limitações eletrônicas de velocidade.
Há, portanto, dois argumentos diferentes no mesmo automóvel: conforto e tecnologia para ocupar o segmento premium, mas com desempenho suficiente para transformar a potência em um dos principais elementos de imagem do produto.

Quase cinco metros exigem soluções específicas
O porte também ajuda a colocar o IM6 em perspectiva. São 4,904 metros de comprimento, 1,96 m de largura e 2,95 m de distância entre-eixos.
Essas medidas deixam claro que não se trata de mais um SUV elétrico médio. O entre-eixos próximo de três metros favorece a utilização do espaço interno, mas dimensões desse nível também tornam manobras em garagens e vagas apertadas mais trabalhosas.
É justamente nesse ponto que uma das tecnologias do IM6 ganha importância prática: o esterçamento das quatro rodas.
Em velocidades menores, as rodas traseiras podem trabalhar no sentido contrário às dianteiras, reduzindo o espaço necessário para realizar uma manobra. Em velocidades mais elevadas, o funcionamento muda para contribuir com a estabilidade. O modelo também possui suspensão ajustável e amortecimento controlado eletronicamente.
Nesse caso, a tecnologia não está presente apenas para aumentar uma lista de equipamentos. Ela ajuda a compensar uma característica física inevitável de um SUV com 4,90 metros de comprimento.
Autonomia homologada pelo Inmetro é de 400 km
Outro número já conhecido para o mercado brasileiro é a autonomia. O MG IM6 foi homologado com 400 km de alcance no ciclo nacional.
O dado deve ser observado considerando a proposta do automóvel. Potência elevada, tração integral e grandes dimensões colocam exigências diferentes sobre o sistema elétrico em comparação com modelos menores desenvolvidos prioritariamente para maximizar a eficiência.
O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV/Inmetro) é a referência oficial brasileira para os dados de eficiência e autonomia dos veículos comercializados no país. A consulta à tabela vigente permite comparar modelos elétricos, híbridos e veículos a combustão sob o mesmo programa de etiquetagem.
Há um cuidado importante ao analisar outras especificações do IM6. Em mercados internacionais existem configurações com bateria de 100 kWh e arquitetura elétrica de 800 volts, mas essas características não devem ser automaticamente atribuídas ao carro brasileiro enquanto a MG não confirmar a especificação definitiva de cada versão destinada ao país.
Essa separação é particularmente importante porque a fabricante ainda não revelou todos os detalhes comerciais do modelo.

Duas telas dominam o interior
A cabine segue uma abordagem bastante diferente dos interiores tradicionais de luxo. Em vez de muitos comandos físicos, o IM6 concentra boa parte das funções em grandes telas e superfícies horizontais.
O principal display possui 26,3 polegadas, acompanhado por outra tela de 10,5 polegadas. O projeto interno também utiliza vidros duplos laminados com o objetivo de reduzir a entrada de ruídos na cabine.
O desenho do interior foi desenvolvido com participação da Central Saint Martins, instituição londrina conhecida pela formação nas áreas de arte e design. A escolha ajuda a explicar uma característica importante do IM6: sua interpretação de luxo está mais ligada à tecnologia e ao minimalismo do que à utilização de uma grande quantidade de comandos e elementos decorativos.
A MG também apresentou recursos de conectividade e assistência à condução. A lista definitiva de equipamentos das versões brasileiras, entretanto, ainda precisa ser divulgada pela fabricante.
IM6 recebeu cinco estrelas no Euro NCAP
A segurança é outro argumento importante para um automóvel que pretende disputar o mercado premium. O IM6 recebeu a classificação máxima de cinco estrelas nos testes realizados pelo Euro NCAP.
Os resultados foram de 90% para proteção de ocupantes adultos, 85% para crianças, 83% para usuários vulneráveis da via e 87% na categoria de sistemas de assistência à segurança. O órgão também avaliou recursos como frenagem autônoma de emergência, monitoramento do motorista e assistência de permanência em faixa.
O resultado oficial do IM6 no Euro NCAP permite consultar os testes e as versões às quais a classificação se aplica.
Vale observar que uma avaliação do Euro NCAP não substitui uma homologação brasileira. Ela funciona como uma referência independente do desempenho apresentado pelo modelo nos protocolos europeus de segurança.
Onde o MG IM6 pretende se encaixar no Brasil?
O tamanho, a potência e o pacote tecnológico deixam o posicionamento mais claro. O IM6 não chega para ocupar a mesma faixa dos elétricos compactos que atualmente concentram boa parte das vendas no Brasil.
A própria estratégia comercial aponta nessa direção.
A IM será posicionada como uma operação premium ligada à SAIC, mas não deverá depender de uma rede totalmente separada. O modelo utilizará a estrutura da MG, com espaços selecionados destinados à nova marca.
Isso permite à empresa ampliar sua atuação sem precisar construir do zero uma segunda estrutura comercial.
A estratégia lembra um movimento já observado entre outros grupos chineses: manter produtos de maior volume sob uma marca principal e utilizar outra identidade para disputar consumidores interessados em veículos mais sofisticados. No caso da IM, porém, o IM6 acrescenta um elemento especialmente forte à equação: desempenho.
Com 767 cv, 0 a 100 km/h em 3,5 segundos e dimensões próximas de cinco metros, o modelo reúne características que o afastam dos SUVs elétricos convencionais antes mesmo de seu preço ser conhecido.
Preço será decisivo para entender os verdadeiros rivais
A MG ainda não divulgou o preço oficial do IM6 no Brasil. Também faltam informações definitivas sobre todas as versões, equipamentos e condições de comercialização.
E esse será um ponto fundamental.
Sem o preço, é prematuro determinar quais modelos serão seus concorrentes diretos. Um SUV elétrico de 767 cv pode ser comparado tecnicamente com veículos de desempenho elevado, mas a posição comercial depende de quanto a MG cobrará pelo conjunto.
O que já é possível concluir é que o IM6 não será apenas uma extensão da gama atual. Ele inaugura uma estratégia específica para colocar a SAIC em uma faixa superior do mercado brasileiro.
A combinação de 400 km homologados pelo Inmetro, direção nas quatro rodas, grandes dimensões e desempenho de esportivo cria uma proposta incomum. Resta saber quanto custará ter acesso a ela — e até que ponto o preço permitirá transformar a ficha técnica em uma alternativa competitiva entre os elétricos premium vendidos no país.
Perguntas frequentes sobre o MG IM6
Quando o MG IM6 chega ao Brasil?
O lançamento comercial está previsto para outubro de 2026. O SUV foi apresentado ao público brasileiro durante o Festival Interlagos.
Qual é a potência do MG IM6?
A configuração anunciada para o Brasil possui dois motores elétricos, tração integral e 767 cv, além de 81,7 kgfm de torque.
Qual é a autonomia do MG IM6?
O modelo possui 400 km de autonomia homologada pelo Inmetro.
Quanto custará o MG IM6 no Brasil?
A MG ainda não divulgou o preço oficial. Por isso, qualquer valor apresentado neste momento como preço definitivo deve ser tratado com cautela.