O GWM Tank 300 está sendo usado para uma função que vai além do transporte em Fernando de Noronha. O SUV híbrido plug-in passou a fornecer eletricidade para equipamentos de reciclagem do projeto Protect Paradise por meio da tecnologia V2L (Vehicle-to-Load). O veículo também participa da coleta de garrafas de vidro em bares e restaurantes da ilha.
A participação do veículo e o funcionamento da tecnologia foram detalhados oficialmente pela GWM Brasil. A iniciativa é desenvolvida pela Green Mining em parceria com a Corona e reúne outras empresas em Fernando de Noronha.
Na prática, o Tank 300 funciona como uma fonte móvel de eletricidade para uma estrutura de reciclagem que pode ser levada a diferentes pontos do arquipélago.
Como o Tank 300 fornece energia para a reciclagem
O V2L permite utilizar a eletricidade armazenada na bateria do veículo para alimentar equipamentos externos. Em Fernando de Noronha, o funcionamento cria uma sequência interessante: a eletricidade é produzida por painéis solares instalados no contêiner de reciclagem, utilizada para recarregar o Tank 300 e posteriormente disponibilizada pelo SUV para os equipamentos durante as ações do projeto.
Com isso, o veículo passa a funcionar como uma fonte móvel de eletricidade para os equipamentos utilizados nessas ações, reduzindo a necessidade de recorrer a um gerador convencional no local. A própria GWM confirma que a utilização do V2L diminui a necessidade de geradores convencionais a combustão.

A aplicação também torna a estrutura mais flexível. O contêiner fica instalado no centro da ilha, mas, com o Tank 300 fornecendo energia, as atividades podem ser realizadas em escolas, eventos e outros centros educacionais.
É um exemplo prático de como uma tecnologia normalmente apresentada entre os equipamentos de um automóvel eletrificado pode assumir outra finalidade. Nesse caso, a mesma bateria utilizada pelo sistema de propulsão também se transforma em uma reserva móvel de eletricidade.
SUV também coleta garrafas de vidro
O trabalho do Tank 300 no Protect Paradise não fica restrito ao fornecimento de energia. O veículo também foi incorporado à logística reversa das embalagens de vidro da Corona.
O SUV será utilizado para recolher garrafas em bares e restaurantes parceiros de Fernando de Noronha. Depois da coleta, o material entra na operação da Green Mining e é encaminhado ao continente para reciclagem, com acompanhamento do processo até sua destinação à indústria recicladora.
Essa segunda função ajuda a mostrar que o veículo participa de duas etapas diferentes da operação: transporta materiais e, quando necessário, disponibiliza eletricidade para os equipamentos.
Segundo os números divulgados pelo projeto, desde o início da atuação em Fernando de Noronha já foram encaminhadas para reciclagem mais de 7,5 toneladas de plástico e 12,7 toneladas de vidro. Também foram produzidos localmente mais de 30 mil objetos a partir de materiais reaproveitados.
A Green Mining, responsável pela operação de logística reversa, informa que acompanha o material recolhido desde a coleta até a destinação à indústria recicladora no continente.
V2L sai da ficha técnica e ganha uso prático
A parte mais interessante da participação do Tank 300 está justamente na aplicação do V2L. Em muitos veículos eletrificados, a tecnologia aparece na ficha técnica como uma possibilidade de alimentar aparelhos e equipamentos externos. Em Fernando de Noronha, o recurso passa a fazer parte de uma operação real.
Há ainda uma vantagem logística: o mesmo automóvel utilizado no transporte pode funcionar como fonte de energia, reduzindo a necessidade de levar um gerador separado para cada atividade.

Isso não significa, porém, que o V2L resolva sozinho o processo de reciclagem. A tecnologia fornece energia e amplia a mobilidade da operação, mas a eficiência da logística reversa continua dependendo da separação correta dos resíduos nos estabelecimentos, da coleta, do transporte e da destinação adequada do material.
Criado em 2021, o Protect Paradise busca desenvolver soluções para resíduos gerados em destinos turísticos. Em Fernando de Noronha, além da GWM, o projeto reúne empresas como Corona, Forte Noronha, Dix Aeroportos e Covestro.
Para a GWM, a operação também demonstra uma possibilidade adicional dos veículos híbridos plug-in: usar a energia armazenada na bateria não apenas para movimentar o carro, mas para atender necessidades externas quando o veículo está parado. No caso de Fernando de Noronha, o diferencial é que essa possibilidade deixou a ficha técnica e passou a ter uma aplicação concreta.