A disputa entre GWM Ora 5 2027 e BYD Dolphin SE 2027 ficou ainda mais interessante depois dos reajustes promovidos pelas duas fabricantes. O SUV elétrico da GWM custa atualmente R$ 163.990, enquanto o Dolphin SE aparece por R$ 169.990. São apenas R$ 6 mil separando dois modelos com diferenças consideráveis em potência, bateria, autonomia, espaço para bagagens e velocidade de recarga.
O Ora 5 desembarcou no Brasil em junho por R$ 159 mil e posteriormente teve o preço elevado. A própria GWM Brasil apresenta atualmente o modelo por R$ 163.990. Já o Dolphin SE estreou por R$ 159.990, mas passou a custar R$ 169.990.
Com o GWM agora R$ 6 mil mais barato, a comparação deixa uma questão relevante: o Dolphin possui características capazes de compensar essa diferença ou o Ora 5 passou a oferecer um conjunto mais interessante pelo dinheiro?
Ora 5 custa R$ 6 mil menos que o Dolphin SE
A mudança de preços inverteu uma situação que existia no lançamento. Em abril, quando a BYD apresentou o Dolphin SE, o elétrico chegou por R$ 159.990. Dois meses depois, o Ora 5 estreou por R$ 159 mil. Atualmente, a situação é diferente.
| Modelo | Preço atual |
|---|---|
| GWM Ora 5 | R$ 163.990 |
| BYD Dolphin SE | R$ 169.990 |
| Diferença | R$ 6.000 |
Na prática, o Dolphin SE custa cerca de 3,7% a mais. Não é uma diferença enorme nessa faixa de preço, mas também não pode ser ignorada porque o Ora 5 não compensa o menor preço com uma lista de equipamentos simplificada.
Pelo contrário: o GWM traz recursos como bancos dianteiros elétricos e ventilados, memória para o motorista, teto panorâmico, tampa do porta-malas elétrica, câmeras 360 graus e um pacote amplo de assistentes de condução.
O preço, portanto, já coloca o Ora 5 em uma posição favorável antes mesmo de analisar motor, bateria e espaço.
Vantagem: GWM Ora 5.
Ora 5 tem 27 cv a mais, mas também pesa 200 kg extras
Os dois modelos utilizam motor elétrico dianteiro e tração dianteira, porém a GWM adotou uma configuração mais potente no Ora 5.

A fabricante confirma 204 cv e 260 Nm (26,5 kgfm). São números suficientes para levar o SUV de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos. No Dolphin SE, a BYD informa 177 cv e 290 Nm (29,6 kgfm), com aceleração de 0 a 100 km/h em 8 segundos.
| Especificação | Ora 5 | Dolphin SE |
|---|---|---|
| Potência | 204 cv | 177 cv |
| Torque | 26,5 kgfm | 29,6 kgfm |
| Peso | 1.685 kg | 1.485 kg |
| 0 a 100 km/h | 7,7 s | 8,0 s |
| Velocidade máxima | 170 km/h | 160 km/h |
O Ora 5 entrega 27 cv a mais, mas carrega 200 kg adicionais. Por isso, olhar somente para a potência poderia exagerar a vantagem do GWM.
Dividindo o peso pela potência, chegamos a aproximadamente 8,26 kg/cv para o Ora 5 e 8,39 kg/cv para o Dolphin SE. A diferença é bem menor do que os números absolutos de potência sugerem.
O GWM ainda leva vantagem no desempenho declarado, mas o BYD aproveita bem o menor peso e possui torque nominal superior.
Essa característica também apareceu na prática durante o test-drive realizado por Stanley Ravagnani, do canal no YouTube Stanley Ravagnani. O apresentador chamou atenção para a resposta imediata do Ora 5 nas acelerações e considerou o elétrico bastante forte. A experiência ajuda a contextualizar os 204 cv, embora não substitua um teste dos dois carros realizado nas mesmas condições.
Vantagem: GWM Ora 5.
Autonomia: os 405 km do Dolphin não podem ser comparados aos 349 km do Ora 5
É justamente na autonomia que os números precisam ser observados com maior atenção.
A GWM Brasil informa para o Ora 5 uma bateria LFP de 58,3 kWh, com 349 km de autonomia pelo Inmetro e 435 km pelo ciclo WLTP. A fabricante também declara 204 cv e recarga rápida de 30% a 80% em aproximadamente 20 minutos.
No Dolphin SE, a BYD informa bateria Blade de 45,12 kWh e até 405 km pelo ciclo NEDC. Porém, a própria página brasileira do modelo esclarece que a autonomia pelo PBEV/Inmetro é de 272 km.
| Modelo | Bateria | Inmetro/PBEV |
|---|---|---|
| Ora 5 | 58,3 kWh | 349 km |
| Dolphin SE | 45,12 kWh | 272 km |
Portanto, 405 km contra 349 km não é uma comparação válida, porque os números foram obtidos por metodologias diferentes.
Colocando os dois sob a mesma referência brasileira, o Ora 5 oferece 77 km a mais de autonomia homologada, uma diferença de aproximadamente 28%.
Isso acompanha a diferença de capacidade das baterias. O conjunto de 58,3 kWh do GWM é cerca de 29% maior que os 45,12 kWh do BYD.
Nesse ponto, o resultado é bem mais claro do que uma comparação entre números de ciclos diferentes faria parecer.
Vantagem: GWM Ora 5.
Recarga de até 120 kW amplia outra vantagem do GWM
O Ora 5 também possui maior capacidade nominal de carregamento rápido.
A GWM informa que a bateria pode passar de 30% para 80% em cerca de 20 minutos utilizando carregador DC de até 120 kW.
A ficha técnica oficial do Dolphin SE registra 6,6 kW em corrente alternada e 80 kW em corrente contínua. A BYD também anuncia 20 minutos para passar de 30% a 80% nas condições especificadas pela fabricante.
| Recarga | Ora 5 | Dolphin SE |
|---|---|---|
| AC | até 11 kW | 6,6 kW |
| DC | até 120 kW | 80 kW |
A diferença de potência não significa que o Ora 5 necessariamente levará dois terços do tempo do Dolphin em qualquer carregador. Veículos elétricos reduzem a potência recebida conforme diferentes fatores, especialmente temperatura e nível de carga da bateria.
Mas existe uma consequência prática: conectado a uma infraestrutura capaz de fornecer essas potências, o GWM possui maior capacidade para receber energia tanto em AC quanto em DC.
Rafael Amaral, do canal no YouTube Car Analysis, também mostrou durante sua avaliação que o Dolphin SE acompanha wallbox, enquanto no Ora 5 foram apresentados wallbox e carregador portátil.
Para quem pretende utilizar frequentemente carregadores rápidos em viagens, esse é um ponto que merece atenção.
Vantagem: GWM Ora 5.
Ora 5 é maior, mas entre-eixos dos dois é quase igual
As proporções mostram duas maneiras diferentes de aproveitar o tamanho externo.
| Medida | Ora 5 | Dolphin SE |
|---|---|---|
| Comprimento | 4.471 mm | 4.280 mm |
| Largura | 1.833 mm | 1.770 mm |
| Altura | 1.641 mm | 1.570 mm |
| Entre-eixos | 2.720 mm | 2.700 mm |
| Altura livre | 175 mm | 120 mm |
| Porta-malas | 362 litros | 250 litros |
O Ora 5 possui 191 mm a mais de comprimento, 63 mm de largura e 71 mm de altura. Curiosamente, a diferença de entre-eixos é de somente 20 mm.
Isso ajuda a entender por que o Dolphin consegue oferecer uma cabine espaçosa apesar das dimensões externas menores.
Rafael Amaral, do canal no YouTube Car Analysis, com 1,72 m de altura, mostrou o espaço traseiro do BYD durante sua avaliação e considerou boa a área disponível para os passageiros.
A maior diferença prática aparece atrás dos bancos.
São 362 litros no Ora 5 contra 250 litros no Dolphin SE, vantagem de 112 litros para o GWM. O porta-malas do Ora 5 é aproximadamente 45% maior.
Para uma pessoa que utiliza o elétrico principalmente em deslocamentos urbanos, os 250 litros podem atender. Em uma viagem familiar com malas, entretanto, os 112 litros adicionais passam a ter um peso muito maior na decisão.
O Ora 5 ainda apresenta 175 mm de altura livre do solo, contra 120 mm do Dolphin, característica interessante diante de lombadas, valetas e acessos inclinados encontrados nas cidades brasileiras.
Vantagem: GWM Ora 5 em capacidade de bagagem e dimensões.

Dolphin SE evoluiu bastante em equipamentos
O resultado fica mais equilibrado quando tecnologia e segurança entram na comparação.
O Dolphin SE ganhou ADAS 2, incluindo controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal, frenagem automática de emergência, assistentes de faixa e monitoramento de ponto cego. A BYD também equipa o modelo com multimídia de 12,8 polegadas e carregador de celular por indução de 50 W.
A ficha técnica oficial acrescenta câmera 360 graus, seis airbags, banco do motorista com regulagem elétrica e ventilação dos bancos dianteiros.
É um avanço importante porque reduz bastante a distância de equipamentos que poderia existir entre uma versão intermediária do Dolphin e modelos mais caros.
O Ora 5, entretanto, mantém alguns diferenciais. Além das câmeras 360 graus e do pacote ADAS, oferece bancos dianteiros elétricos e ventilados, memória para o motorista, teto panorâmico e abertura elétrica da tampa do porta-malas.
A própria GWM destaca ainda central multimídia de 14,6 polegadas, painel digital de 10,25″, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, internet a bordo, atualizações OTA e conectividade pelo aplicativo da marca.
Não é uma vitória baseada na quantidade de itens da ficha técnica. A diferença está principalmente em recursos de conforto que o motorista percebe diariamente.
Vantagem: GWM Ora 5.
Segurança deixa a disputa mais equilibrada
Os dois carros possuem seis airbags e uma combinação extensa de assistentes eletrônicos.
No Dolphin SE, há ACC, frenagem automática de emergência, alerta de colisão, monitoramento de ponto cego e sistemas de assistência de faixa.
O Ora 5 reúne ACC, frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistência de permanência na faixa e indicador de fadiga.
Stanley Ravagnani, do canal no YouTube Stanley Ravagnani, colocou parte desses sistemas do GWM em funcionamento durante seu test-drive. Ao utilizar ACC e centralização de faixa, relatou que o veículo identificou o carro à frente e passou a controlar a velocidade.
Isso mostra o funcionamento do sistema naquele teste específico. Não seria correto transformar essa experiência em uma afirmação de que o ADAS da GWM é melhor que o da BYD sem submeter os dois aos mesmos procedimentos.
Resultado: empate.
Test-drive ajuda a enxergar o que os números não revelam
A experiência de Stanley Ravagnani, do canal no YouTube Stanley Ravagnani, com o Ora 5 também trouxe observações que dificilmente aparecem em uma tabela.
Rodando por Bauru, ele elogiou principalmente suspensão, conforto dos bancos, atuação dos freios e desempenho. O apresentador considerou a suspensão confortável mesmo em pisos ruins e destacou a força das acelerações.
Também apareceu uma ressalva. Em velocidades maiores, Stanley percebeu ruído aerodinâmico dentro da cabine, inclusive quando trafegava a aproximadamente 110 km/h.
É justamente aí que avaliações independentes acrescentam valor. A GWM informa potência, bateria, autonomia e equipamentos; quem dirige consegue mostrar características de utilização que esses números não conseguem antecipar.
No Dolphin SE, Rafael Amaral, do canal no YouTube Car Analysis, chamou atenção para o bom espaço traseiro e para a evolução de equipamentos em relação ao Dolphin GS. O modelo possui apenas 250 litros de porta-malas, mas seus 2,70 metros de entre-eixos ajudam a explicar por que tamanho externo compacto e espaço para passageiros não são necessariamente coisas opostas.
Ora 5 ou Dolphin SE: qual vale mais a pena?
Depois do reajuste dos dois modelos, o cenário passou a favorecer ainda mais o GWM Ora 5.
| Quesito | Vantagem |
|---|---|
| Preço | Ora 5 |
| Desempenho | Ora 5 |
| Autonomia PBEV | Ora 5 |
| Recarga | Ora 5 |
| Porta-malas | Ora 5 |
| Equipamentos | Ora 5 |
| Segurança/ADAS | Empate |
O BYD Dolphin SE continua tendo qualidades importantes. É 200 kg mais leve, possui torque nominal superior, oferece bom espaço interno para suas dimensões e recebeu um pacote de segurança muito mais completo. A experiência acumulada pelo Dolphin no mercado brasileiro também é um aspecto que o comprador pode considerar.
Mas a conta atual ficou complicada para o BYD.
O Ora 5 custa R$ 6 mil menos, entrega 27 cv adicionais, oferece 77 km a mais de autonomia homologada pelo Inmetro, aceita maior potência de recarga e possui porta-malas 112 litros superior. Soma-se a isso uma lista de equipamentos bastante completa.
Não significa que o Dolphin SE tenha se tornado uma compra ruim. Significa que, aos preços atuais, o Ora 5 oferece mais argumentos objetivos pelo dinheiro.
Para quem prefere um carro menor externamente e valoriza a proposta do Dolphin, o SE continua sendo uma alternativa interessante. Para quem coloca na balança preço, autonomia, desempenho, bagagem, recarga e equipamentos, porém, o GWM Ora 5 leva vantagem neste confronto.
A diferença de R$ 6 mil seria mais fácil de justificar se estivesse do lado do GWM. Hoje acontece o contrário: o carro que vence a maior parte dos critérios objetivos deste comparativo também é o mais barato dos dois.