Kicks Platinum ou HR-V Advance? O que muda ao pagar R$ 13 mil a mais

Nissan Kicks Platinum e Honda HR-V Advance estão separados por mais de R$ 13 mil. O Honda tem 52 cv a mais, enquanto o Nissan oferece porta-malas maior e custa menos. Veja onde cada SUV se destaca e o que pesa na escolha.

Quem está disposto a gastar perto de R$ 200 mil em um SUV compacto encontra duas propostas bem diferentes no Nissan Kicks Platinum 2027 e no Honda HR-V Advance 2027. O Nissan custa R$ 189.990, enquanto o Honda aparece por R$ 203.300, diferença de R$ 13.310.
A diferença representa aproximadamente 7% sobre o preço do Kicks. Mas olhar apenas para os valores não resolve a comparação. O HR-V responde com um conjunto mecânico muito mais potente e garantia maior, enquanto o Kicks aposta em porta-malas superior, entre-eixos maior e uma lista de equipamentos que reforça a proposta da versão Platinum.

Na prática, portanto, a questão não é simplesmente descobrir qual dos dois tem a melhor ficha técnica. É entender onde estão esses R$ 13 mil de diferença e qual conjunto combina mais com o uso de cada comprador.

HR-V abre uma vantagem de 52 cv que aparece logo na ficha técnica

A maior diferença entre os dois está debaixo do capô. O Kicks Platinum utiliza motor 1.0 turbo flex, com 125 cv quando abastecido com etanol e torque máximo de 22,4 kgfm. O câmbio é automatizado DCT de seis marchas e a tração é dianteira.

O HR-V Advance parte para outra receita. Seu 1.5 turbo flex entrega 177 cv e 24,5 kgfm, associado ao câmbio CVT. Também utiliza tração dianteira. São 52 cv a mais para o Honda, vantagem de aproximadamente 42% sobre a potência do Nissan. É uma diferença grande e que coloca o HR-V em posição mais favorável para quem prioriza desempenho.

Nas avaliações reunidas para este comparativo, o motor 1.5 turbo do Honda também recebe comentários positivos pelo desempenho. Uma das avaliações destaca os 177 cv e 24,5 kgfm e aponta aceleração de 0 a 100 km/h abaixo dos 9 segundos.

O Kicks tem aceleração de 0 a 100 km/h em 12,4 segundos. Nesse ponto, não há muita margem para interpretação: desempenho é uma vantagem importante do HR-V.

Nissan Kicks e Honda HR-V lado a lado em comparativo traseiro
Imagem: Rota dos Carros / IA

Kicks responde no consumo e principalmente na hora de colocar as malas

Se o HR-V se distancia quando o assunto é potência, o Kicks recupera terreno em outros pontos importantes para o uso diário.

Com gasolina, o Nissan registra 11,7 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada, segundo os números presentes da montadora. Com etanol, são 8,3 e 9,9 km/l, respectivamente.

O Honda registra 11,5 km/l na cidade e 12,9 km/l na estrada com gasolina. Com etanol, aparecem 8,1 e 9,1 km/l.
É no porta-malas, porém, que a diferença fica muito mais evidente. O Kicks oferece 470 litros, enquanto o HR-V tem 354 litros. São 116 litros adicionais no Nissan, ou aproximadamente 33% a mais de capacidade.

Para quem viaja com a família, leva carrinho de bebê ou simplesmente precisa transportar muita bagagem, é uma diferença que pode pesar mais no cotidiano do que alguns itens da lista de equipamentos.

O Kicks também tem entre-eixos de 2.655 mm, contra 2.610 mm do HR-V. O Honda, entretanto, recebe elogios nas avaliações pelo aproveitamento da cabine. O banco traseiro foi considerado confortável, com assoalho praticamente plano, saídas de ar e USB-C, além do conhecido sistema modular Magic Seat.

Ou seja: os números favorecem o Nissan em porta-malas e entre-eixos, mas o Honda compensa parte dessa diferença com uma cabine bem aproveitada e soluções práticas.

Platinum aposta mais em equipamentos que chamam atenção

A proposta do Kicks Platinum fica clara quando se observa o pacote da versão. Entre os equipamentos mencionados nas avaliações estão detector de ponto cego, teto solar elétrico panorâmico e câmera 360 graus.

São itens que ajudam a transmitir a sensação de estar realmente levando a configuração mais sofisticada do SUV.

Nem tudo, entretanto, acompanha essa proposta. Uma das críticas feitas na avaliação é justamente a ausência de abertura elétrica do porta-malas, considerada uma economia difícil de justificar nessa faixa de preço.

No Honda, a abordagem é diferente. O pacote de assistência à condução ganha destaque nas avaliações pelo funcionamento do ACC com anda e para, alerta de colisão frontal, frenagem automática de emergência, alerta de saída de faixa, centralização e assistente de farol alto.

Portanto, não basta contar equipamentos. O Kicks chama atenção por recursos visíveis de conforto e tecnologia, enquanto o HR-V tem argumentos importantes principalmente na assistência ao motorista.

Interior do Nissan Kicks e Honda HR-V lado a lado em comparativo
Imagem: Rota dos Carros / IA

Se fossem meus R$ 200 mil, eu pensaria duas vezes antes de olhar apenas para a potência

O HR-V me chama atenção principalmente pelo motor. São 177 cv contra 125 cv, e 52 cv de diferença é coisa demais para tratar como simples número de ficha técnica. Para quem pega estrada com frequência, viaja com o carro carregado ou simplesmente gosta de ter uma resposta mais forte ao acelerar, eu considero o conjunto 1.5 turbo um argumento muito importante a favor do Honda.

Também gosto da proposta de espaço interno do HR-V. O Magic Seat é uma daquelas soluções que não aparecem simplesmente olhando o volume do porta-malas e pode facilitar bastante a vida dependendo do que você precisa transportar.

Mas eu teria dificuldade para ignorar os R$ 13.310 de diferença.

O Kicks custa menos e oferece 470 litros de porta-malas, contra 354 litros do Honda. São 116 litros que eu considero muito relevantes para um carro familiar. Além disso, itens como câmera 360 graus, monitoramento de ponto cego e teto solar panorâmico ajudam a passar uma sensação de carro mais completo nessa faixa de preço.

Por outro lado, também existem detalhes no Kicks que me incomodariam. Em um SUV de quase R$ 190 mil, eu esperaria encontrar abertura elétrica do porta-malas, principalmente em uma versão chamada Platinum.

No HR-V, minha cobrança seria outra. Passar dos R$ 200 mil eleva bastante minha expectativa. O desempenho é muito superior e a garantia de seis anos é um argumento importante, mas eu colocaria na ponta do lápis quanto realmente aproveitaria esses 177 cv no meu uso e se isso justificaria pagar mais e ainda aceitar um porta-malas consideravelmente menor.

É justamente aí que essa comparação fica interessante para mim. Eu não escolheria simplesmente olhando quem tem mais potência ou quem oferece mais equipamentos. Antes de gastar esse dinheiro, tentaria descobrir qual dessas vantagens eu realmente usaria todos os dias.

Garantia cria outra diferença importante entre os dois

Existe ainda um fator que não deveria ficar escondido no fim da ficha técnica.

A garantia total de 36 meses para o Nissan Kicks, enquanto o Honda HR-V aparece com 72 meses de garantia, inclusive para motor e câmbio.
São três anos adicionais no Honda.

Uma das avaliações do HR-V destaca justamente a ampliação para seis anos de garantia nos veículos Honda fabricados nacionalmente destinados ao uso particular.

Para um comprador que pretende permanecer vários anos com o veículo, é um ponto que merece entrar na conta junto com preço, seguro, revisões e desvalorização.

Kicks e HR-V deixam claro que R$ 200 mil podem comprar propostas bem diferentes

Depois de colocar os números lado a lado, fica mais fácil entender o posicionamento de cada SUV.

O Nissan Kicks Platinum 2027, por R$ 189.990, concentra seus principais argumentos no preço menor, no porta-malas de 470 litros, no entre-eixos maior e em equipamentos como câmera 360 graus, detector de ponto cego e teto solar panorâmico.

O Honda HR-V Advance 2027, por R$ 203.300, cobra R$ 13.310 adicionais, mas responde principalmente com o motor 1.5 turbo de 177 cv e uma garantia de seis anos.

A diferença de potência é grande e objetiva. A diferença de porta-malas também.

É por isso que reduzir esse confronto a dizer que um simplesmente “é melhor” que o outro deixaria de fora justamente o ponto mais importante. O Kicks coloca mais ênfase em praticidade, equipamentos e preço. O HR-V direciona boa parte de seus argumentos para desempenho, aproveitamento interno e garantia.

No fim das contas, os R$ 13.310 que separam os dois não compram apenas equipamentos adicionais. Eles representam duas maneiras bastante diferentes de montar um SUV compacto próximo da barreira dos R$ 200 mil.

Josean Belo dos Santos
SOBRE O AUTOR

Josean Belo dos Santos

Josean Belo dos Santos é editor do Rota dos Carros e atua há cerca de 20 anos na produção de conteúdo sobre o setor automotivo. Ao longo de sua trajetória, escreveu para portais especializados, com passagens por sites como Del Carros e Portal N10, acompanhando de perto as transformações do mercado brasileiro de automóveis. Além da experiência no jornalismo automotivo, Josean é agente de trânsito em Picos, no Piauí, atividade que amplia seu contato diário com temas relacionados à mobilidade, segurança viária, legislação e comportamento dos motoristas. No Rota dos Carros, é responsável pela produção e edição de conteúdos sobre notícias, lançamentos, avaliações, comparativos, preços e ofertas, além de guias de serviço e trânsito. Seu trabalho combina pesquisa em fontes oficiais, apuração própria, entrevistas com profissionais do setor e experiência prática para produzir informações úteis e confiáveis para quem acompanha o mercado automotivo.